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Abaixo-assinado em apoio ao Centro de Formação Paulo Freire

Um abaixo-assinado está recolhendo assinaturas em apoio ao Centro de Formação Paulo Freire e contra a ordem de reintegração de posse concedida pela Justiça Federal. Para assinar o documento, clique aqui.

A petição foi lançada na última sexta-feira (20) e até o começo da tarde desta segunda-feira (23) contava com mais de 4.500 assinaturas. “Seria uma perda irreparável o despejo deste espaço comunitário e cooperativo. Pois, o Centro de Formação Paulo Freire promove há 20 anos a educação do campo e suas ciências, sendo uma escola popular do campo de referência nacional”, diz o documento.

“Ao invés do despejo, reivindicamos o direito ao desenvolvimento de uma cidadania plena para a população do campo. Mais investimento no patrimônio imensurável construído por muitas mãos. E esperamos, assim, que o Incra cumpra sua missão no que se refere à preservação e execução das políticas nacionais voltadas para à reforma agrária e democratização do direito à terra”, também diz o abaixo-assinado.

Reintegração de posse

O Centro de Formação Paulo Freire ocupa uma área de cerca de 15 hectares que é alvo de uma ordem de reintegração de posse solicitada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e pela AGU (Advocacia Geral da União). A ação tramita desde 2008. A ordem foi concedida pela Justiça Federal, que determinou que a área fosse desocupada até o último dia 19.

Em apoio ao centro, agricultores e agricultoras de várias regiões de Pernambuco montaram um acampamento no local, onde realizam atividades políticas e culturais. Na semana passada, representantes do CEDH-PE (Conselho Estadual de Direitos Humanos de Pernambuco), do qual o MIRIM Brasil faz parte, estiveram no centro para prestar solidariedade e se colocar à disposição dos trabalhadores e trabalhadoras.

Centro de Formação Paulo Freire

O centro fica no assentamento Normandia, em Caruaru, no Agreste do Estado. No local, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) promove atividades de formação em agroecologia e produção de alimentos. O centro possui auditório, alojamentos, creche, quadra poliesportiva, cozinha, refeitório, academia da cidade, igreja e outras áreas comuns. Toda a área do assentamento foi ocupada em 1993; o assentamento é de 1997; e o centro, de 1999.

Ao longo de 20 anos de existência, em torno de cem mil pessoas participaram de atividades no centro e 8.000 estudantes se formaram em cursos oferecidos pelo próprio centro ou em parceria com instituições públicas de ensino. O Centro de Formação Paulo Freire atua em parceria com UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), UPE (Universidade de Pernambuco), IFPE (Instituto Federal de Pernambuco), IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco) e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A área também abriga três agroindústrias, que são “geridas de forma cooperada e com forte presença feminina”, segundo informações disponíveis no site do centro. A agroindústria de raízes e tubérculos tem capacidade de produzir mais de 200 toneladas de alimentos por ano; a padaria, 180 toneladas de pães e bolos; e o frigorífico de caprinos e bovinos, cem toneladas de carnes nobres.  Toda essa comida compõe “a merenda escolar de 400 escolas do Estado de Pernambuco e 60% da merenda escolar só de Caruaru”, de acordo com o centro.

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