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Solidariedade ao Centro de Formação Paulo Freire

Representantes do CEDH-PE (Conselho Estadual de Direitos Humanos de Pernambuco), do qual o MIRIM Brasil faz parte, estiveram na última quarta-feira (18) no Centro de Formação Paulo Freire, no assentamento Normandia, em Caruaru, no Agreste do Estado, para prestar solidariedade e se colocar à disposição dos trabalhadores e trabalhadoras.    

A área de cerca de 15 hectares que o centro ocupa é alvo de uma ordem de reintegração de posse solicitada pelo Incra (Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária) e pela AGU (Advocacia Geral da União). A ação tramita desde 2008. A ordem foi concedida pela Justiça Federal, que determinou que a área seja desocupada até esta quinta-feira (19). 

Em apoio ao Centro de Formação Paulo Freire, agricultores e agricultoras de várias regiões de Pernambuco montaram um acampamento no local, onde realizam atividades políticas e culturais. “Na visita, vimos que estavam acontecendo muitas atividades de formação, rodas de diálogo, o que é o cotidiano do Paulo Freire, e uma plenária [do acampamento]”, descreve Camila Fernandes, militante do MIRIM e conselheira do CEDH-PE.

Camila Fernandes (à esq.), militante do MIRIM, visitou o Centro de Formação Paulo Freire junto com conselheiros e conselheiras do CEDH-PE | Foto: CEDH-PE

“O que vimos hoje foi um lugar de solidariedade, onde se faz como prática o cultivo de agricultura orgância, que vai não só para o assentamento, mas que serve toda a rede municipal de Caruaru, garantindo segurança alimentar”, afirma.

“Me chocou muito, enquanto conselho e enquanto militante do MIRIM Brasil, a total falta de respeito para com a juventude, para com as crianças do local, do assentamento vizinho. O centro é muito utilizado pela juventude. Não havia uma vírgula na ordem de desapropriação falando sobre as crianças ou preocupada com o bem estar delas. É muito sintomático o fato de não enxergarem as crianças como sujeitos e sujeitas de direito”, diz.

“Enquanto MIRIM, enquanto CEDH, vamos continuar prestando solidariedade e fazendo esse trabalho de vírgilia pelo Centro de Formação Paulo Freire, pelas crianças, pela juventude, pela segurança alimentar de toda uma cidade, pelo templo de educação popular que é o centro”.

Centro de Formação Paulo Freire
Centro de Formação Paulo Freire, no assentamento Normandia, em Caruaru (PE)

No Centro de Formação Paulo Freire, o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) promove atividades de formação em agroecologia e produção de alimentos. O centro possui auditório, alojamentos, creche, quadra poliesportiva, cozinha, refeitório, academia da cidade, igreja e outras áreas comuns. Toda a área do assentamento foi ocupada em 1993; o assentamento é de 1997; e o centro, de 1999.  

Ao longo de 20 anos de existência, em torno de cem mil pessoas participaram de atividades no centro e 8.000 estudantes se formaram em cursos oferecidos pelo próprio centro ou em parceria com instituições públicas de ensino. O Centro de Formação Paulo Freire atua em parceria com UFPE (Universidade Federal de Pernambuco), UFRPE (Universidade Federal Rural de Pernambuco), UPE (Universidade de Pernambuco), IFPE (Instituto Federal de Pernambuco), IPA (Instituto Agronômico de Pernambuco) e Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).

A área também abriga três agroindústrias, que são “geridas de forma cooperada e com forte presença feminina”, segundo informações disponíveis no site do centro. A agroindústria de raízes e tubérculos tem capacidade de produzir mais de 200 toneladas de alimentos por ano; a padaria, 180 toneladas de pães e bolos; e o frigorífico de caprinos e bovinos, cem toneladas de carnes nobres.  Toda essa comida compõe “a merenda escolar de 400 escolas do Estado de Pernambuco e 60% da merenda escolar só de Caruaru”, de acordo com o centro.