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Escolas têm papel importante no combate à violência contra crianças e adolescentes

O MIRIM Brasil acredita que as escolas podem desempenhar um papel importante no combate à violência contra crianças e adolescentes. O assunto foi um dos temas debatidos em uma audiência pública realizada nesta quarta-feira (19) na Alepe (Assembleia Legislativa de Pernambuco), na área central do Recife.

A audiência foi organizada pela Frente Parlamentar pelos Direitos da Primeira Infância e a Comissão de Educação da Alepe e teve como tema “Violências no âmbito escolar: avanços e desafios para as políticas de enfrentamento”.

Participaram do evento deputados, representantes do MPPE (Ministério Público de Pernambuco), das polícias civil e militar, dos governos do Recife e de Pernambuco, de instituições de ensino, além de organizações da sociedade civil e estudantes. O MIRIM esteve presente na audiência.

A ONG Visão Mundial apresentou uma pesquisa realizada em 2018 com estudantes de 67 escolas públicas em seis Estados sobre como eles e elas percebem a questão da violência. Mais da metade das crianças e adolescentes de escolas do Recife disseram não se sentir seguros e seguras na escola. O estudo revelou que a sensação de insegurança é maior entre meninas, crianças negras ou com algum tipo de deficiência física.

Durante o evento, foram debatidos diversos tipos de violência que afetam as crianças e adolescentes, como a que ocorre no caminho da escola, a que acontece dentro das unidades de ensino, a exemplo do bullying, e o abuso sexual, que em geral ocorre dentro de casa. Organizações e governos apresentaram ações que estão sendo desenvolvidas para lidar esses temas.

“A criança precisa ser protegida, acolhida, para poder se desenvolver na sua integralidade. A violência deixa marcas profundas e a longo prazo. A escola tem um papel importante nessa questão da segurança, não só no apoio a essas crianças que sofrem violência, seja doméstica, sexual, comunitária, intraescolar, que reflete nas salas de aula. Os gestores, os professores precisam estar preparados para fazer essa identificação e funcionar como importante elemento da rede de proteção dessas crianças”, afirmou a deputada estadual Simone Santana, presidente da frente parlamentar.

Para a presidenta do MIRIM, Sylvia Siqueira Campos, precisamos “olhar para as estruturas e costumes sociais que violam direitos das crianças cotidianamente, pois elas estão adoecendo”.

“As escolas são instituições importantes para identificar determinadas violências contra a criança, mas precisam ser equipadas para esse olhar. O fortalecimento de suas redes é imprescindível. As escolas precisam de profissional de psicologia. E a polícia precisa atuar com maior veemência nos casos de abuso sexual e exploração sexual. Não podemos continuar romantizando a infância enquanto crianças estão sofrendo muito”.