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Ativistas da Rede Gulmakai se reúnem no Recife para debater educação

Educação, expertise, conhecimento e articulações foram alguns dos temas discutidos durante a semana passada pelos e pelas quatro ativistas que fazem parte da Rede Gulmakai no Brasil. A rede é uma iniciativa do Fundo Malala, entidade criada pela Nobel da Paz Malala Yousafzai, que apoia ativistas de várias partes do mundo que defendem a educação de meninas. A presidenta do MIRIM, Sylvia Siqueira Campos, integra a rede.

Participaram do encontro Denise Carreiras, da Ação Educativa, Ana Paula Lima, da Anaí, Rogério Barata, do Centro de Cultura Luiz Freire, a presidenta do MIRIM, além das representantes do Fundo Malala, a estadunidense Leila Seradj e a brasileira Maíra Martins.

Elas e ele estiveram reunidos e reunidas na sede do MIRIM, no Recife, e no Centro de Cultura Luiz Freire, em Olinda, durante dois dias, quando puderam compartilhar o que cada uma das entidades tem feito e também planejar medidas para o futuro.

Conversamos com o e as ativistas, que contaram sobre como foi a experiência:

SYLVIA SIQUEIRA CAMPOS
“[O encontro] facilitou que nos conhecessemos melhor, as estratégias e como atua cada militante. Também pudemos observar quais são as estratégias comuns que os quatro projetos têm, principalmente no atual contexto de Brasil, de retirada de direitos, de alto nível de violação de direito pelo próprio Estado. A gente percebe que esses quatro projetos têm um alinhamento, uma proposta político-pedagógica de enfrentamento dos elementos que estruturam a desigualdade: o racismo, o patriarcado, o capitalismo. Agora, óbvio, a gente tentar fazer isso para o cotidiano e fazer uma tradução disso na mudança da política pública nos Estados e a nível nacional. Mas também é importante para gente se conhecer, se abraçar. Saber que a gente não está sozinha. Que a luta precisa de ainda mais braços e abraços”.

ANA PAULA LIMA
“A reunião do capítulo Brasil do Fundo Malala que aconteceu no Recife nos dias 14 e 15 de maio últimos foi muito importante para podermos alinhar nossas estratégias em comum no combate aos retrocessos na educação no Brasil, bem como trocarmos experiências sobre os nossos projetos e planejarmos nossas próximas ações em conjunto. Para mim foi muito importante poder apresentar e discutir as atividades do nosso projeto Cunhataí Ikhã, da Anaí, voltado para a promoção do direito à educação de mininas indígenas na Bahia, para as outras instituições presentes e para Leila Seradj, do Fundo Malala, bem como receber informações e também poder discutir os demais projetos que têm apoio do Fundo Malala no Brasil”.

DENISE CARREIRA
“A reunião do Recife representou um importante passo para a constituição da Rede Gulmakai Brasil, apoiada pelo Fundo Malala, como ator político na incidência pelo direito à educação no nosso país. Sabemos que a educação vem sofrendo muitos ataques no Brasil, por parte das políticas de austeridade, que cortam o financiamento do Plano Nacional de Educação e de outros importantes, inviabilizando a implementação de programas e ações da educação e aumentando as desigualdades educacionais. A educação também sofre ataque por parte de grupos ultraconservadores, como o Movimento Escola Sem Partido, que fere a autonomia das escolas e dos profissionais da educação e persegue as agendas pela igualdade de gêneros, raça e sexualidade”.

ROGÉRIO BARATA
“Primeiro destaque que faria é que foi uma oportunidade para as quatro instituições da Rede Gulmakai se conhecerem um pouco mais, embora sejamos  instituições parceiras, senão orgânicas, do ponto de vista de ações mais sistemáticas, nós somos do campo da defesa de direitos humanos, da radicalização da democracia. É interessante o conhecimento de como foram construídas a trajetória das instituições, quais expertises que as instituições trazem, que podem aportar, qualificação das estratégias enquanto rede, enquanto sujeito coletivo. Um outro aspecto é também a própria circulação dos conhecimentos e das expertises das ativistas. Isso é muito interessante porque circula essas experiências, e podemos observar quais são nossos alcances, entendendo que cada uma das ativistas guarda uma expertise específica, uma área de incidência mais forte. É muito interessante essa circulação para gente saber o que se desenha, quais potenciais que guardam a rede. O encontro foi bastante produtivo. Nele, conseguimos desenhar os nossos objetivos, construir um elenco de ações e entendendimentos que queremos construir e marcar qual nosso diferencial no conjunto das lutas, entendendo também que a Rede Gulmakai não vai reiventar a roda, mas sim fortalecer as pautas na defesa do direito à educação das meninas, e então fortalecer a luta mais coletiva, ampliada, no enfrentamento ao destroçamento da institucionalidade protetiva dos direitos. Esse momento foi muito interessante, para refletimos que cenário é esse que estamos, onde e com quem construir alianças e parcerias”.